No dia 30 de Agosto de 2006, apresentei-me no Centro de Emprego de Viana do Castelo, devido a uma carta que recebi, na qual era referida uma oferta de emprego adequada às minhas qualificações e anteriores funções nos vários empregos em que estive.
Foi engraçado. Cheguei em último (15 minutos atrasado), e fui o segundo a ser chamado. O mais castiço disto tudo é que estava lá um rapaz à espera desde as 08:30 da manhã e, na carta que possuía, a hora na qual deveria estar presente era às 11:30. Só que o problema - presumo eu - é que a mãe deve-lhe ter dito(calúnia incluída) :
"Bais pa'lá àj'oit'imeia q'éj'o primeir'a ser'abiado!" :D
A mulher era do género da Bina Morte, uma personagem de Caminha que toda a gente conhece. Para os que não conhecem, é daquelas mulheres que parecem homens, tanto na maneira de falar como na presença e no vestuário! Voz grossa, temperamento f***** e uma capacidade tremenda de socializar, não o fazendo em simultâneo...
O filho tinha o cabelo rapado e a mãe disse:
"Porqué que não bais pá Tropa? "Ias pá guarda ou pá marinha." e vira-se para um senhor que lá estava, com o filho também:
"E o seu também! Mande-o pá tropa!!!" E ri-se às gargalhadas!
O meu pai veio comigo e, nesse instante, olhou para mim e demos aquele sorriso conjunto, do género:
que degredo... :)Fui chamado lá acima, eu e a Marlene, a mulher do homem do talho (lol). Entrámos, sentámo-nos e a senhora que lá estava perguntou aquelas tretas do costume: habilitações literárias, empregos anteriores, etc... depois entregou-nos uma "folhinha" (como ela disse) e explicou-nos de que se tratava aquela empresa. Ficámos de ir lá à tarde, ás 14:30.
À saída, de sorriso estampado na cara - por se tratar de um emprego perto de casa e com boas condições - deparo-me com o "Rui de óculos fortes", outra das peças de Caminha, que disse:
"Ai e tal... vim aqui por causa de um emprego... vamos lá ver..." Pudera! Era estranho era se fosse lá comprar sapatos... :D
Quando estava quase a chegar ao carro, ouço uma voz aguda e sensível: "RUI!" Era a Marlene, a tal. "Se quiseres levo-te lá..." Na boa, às 14:25 no talho, disse-lhe eu.
E assim foi... Às 14:25 lá estava eu no talho.
"Vamos na carrinha do meu marido!" Entrámos na carrinha e passado 20 segundos, aparece o pai dela de carro...
"Ai, vamos antes no carro do meu pai!" Enfim... Chegámos lá e estava fechado. Toquei à campaínha. Apareceu uma mulher dos seus 60 e tal, com as rugas a saírem dos sovacos. Era a Dona Helena. O meu pai falou-me nela... Era a minha cunha. Mal nos viu, disse:
"Ai, menino, aviso-o já! Para si não vai dar!"Eu só tive tempo de ficar surpreso.
"Ai sabe o que é, é que este emrpego é pa trabalhar com a minha nora no escritório. E o meu filho é muito ciúmento sabe? Aquilo nem são ciúmes, já é doença. Ele até tem ciúmes da água que bebe!" Eu só sorria, como quem já não está ali a fazer nada.
"Mas a menina, a menina acho que era ideal! Sabe fazer facturação?"...
Resumindo, o Centro de Emprego está a gozar comigo! Ainda por cima, a empresa estava fechada e eu precisava de justificar por que não fui aceite - neste caso por não ser "menina" - e só na segunda é que abria. Mais um erro do Centro de Emprego. Hoje, segunda feira, voltei lá para me recusarem (lol). A justificação:

Quando chegámos lá, hoje, mal passámos de carro pela empresa, vimos o "Rui de Óculos fortes" a saír de bicicleta, cabisbaixo. Mais um que vai pá maneta, pensei eu. Entrámos, e estavam lá mais 5 pessoas, uma rapariga e um rapaz que tinham estado comigo um mês antes na Univa, em Caminha (uma espécie de recursos humanos para desempregados locais que não ajuda ninguém... aquilo era mais um lobby que outra coisa... lol) e o rapaz, coitado, vinha de fatinho, todo aprontadinho como quem queria causar boa impressão para ficar com o lugar! E, atenção, vi a nora da Dona "rugas no sovaco"! Que coisa asquerosa! :D Depois de me escreverem o que viram na foto, a mim e a ele, a Dona "rugas no sovaco" disse em voz alta, à frente de todos, apontando para mim:
"AQUELE É QUE EU TENHO PENA QUE NÃO SEJA MENINA!" Tudo a rir-se. E eu ali, com cara de parvo, já a suar por tudo o que é poro. Também me ri... Não podia fazer mais nada.
A acrescentar a todo este degredo, fiquei de levar a "folhinha" ao Centro de Emprego e nem era eu que devia levá-la, como podem verificar na foto, visto que a empresa é que decide se se devem apresentar mais candidatos ou não, coisa que ficou em branco, cortesia da nora "feia que nem um cacho".
E pronto. É mais um episódio de um desempregado português. Espero que tenham gostado!
1Abraço ;)